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Para que a Arte se manifeste em
nós , precisamos estar conscientes da beleza, do
ritmo, e da expressão mais criativa que flui
em momentos de inspiração.
O artista salta de dentro de
nós e se expressa com alegria quando notamos a
grandeza da vida e sintetizamos em linguagem
clara e simples o que nos vem do coração.
A força de uma atitude
artística está na expressão sensível da
beleza que ganha significado nos mínimos
detalhes e rima com a alegria que queremos
expressar. |
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Tendência vanguardista que rompe
com padrões rígidos e caminha
para uma criação mais livre,
surgida internacionalmente nas
artes plásticas e na
literatura a partir do final
do século XIX e início do século
XX. É uma reação às escolas
artísticas do passado. Como
resultado desenvolvem-se novos
movimentos, entre eles o
expressionismo, o cubismo, o
dadá, o surrealismo e o
futurismo.
No Brasil, o termo
identifica o movimento
desencadeado pela Semana de Arte
Moderna de 1922. Defendem a
assimilação das tendências
estéticas internacionais para
mesclá-las com a cultura
nacional, originando uma arte
vinculada à realidade
brasileira.
A partir da Semana de 22 surgem
vários grupos e movimentos,
radicalizando ou opondo-se a
seus princípios básicos. O
escritor Oswald de Andrade e a
artista plástica Tarsila do
Amaral lançam em 1925 o
Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de
criar uma arte baseada nas
características do povo
brasileiro, com absorção
crítica da modernidade européia.
O principal veículo das idéias
modernistas é a revista Klaxon,
lançada em maio de 1922.
Artes plásticas –Uma das
primeiras exposições de arte
moderna no Brasil é realizada em
1913 pelo pintor de origem
lituana Lasar Segall. Suas telas
chocam, mas as reações são
amenizadas pelo fato de o
artista ser estrangeiro. Em
1917, Anita Malfatti
realiza a que é considerada de
fato a primeira mostra de arte
moderna brasileira. Apresenta
telas influenciadas pelo
cubismo, expressionismo,
fauvismo e futurismo que causam
escândalo, entre elas A Mulher
de Cabelos Verdes.
Sua pintura é baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas
tropicais são estilizadas
geometricamente, numa certa
relação com o cubismo. Um
exemplo é Mamoeiro.
Di Cavalcanti retrata a
população brasileira, sobretudo
as classes sociais menos
favorecidas. Mescla influências
realistas, cubistas e
futuristas, como em Cinco Moças
de Guaratinguetá. Outro artista
modernista dedicado a
representar o homem do povo é
Candido Portinari, que
recebe influência do
expressionismo. Entre os muitos
exemplos estão as telas Café e
Os Retirantes.
Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John
Graz (1891-1980), Cícero Dias
(1908-) e Vicente do Rego
Monteiro (1899-1970).
O principal escultor
modernista é Vitor Brecheret.
Suas obras são geometrizadas,
têm formas sintéticas e poucos
detalhes.
Na gravura, o modernismo
brasileiro possui dois
expoentes. Um deles é Osvaldo
Goeldi (1895-1961). Identificado
com o expressionismo, cria obras
em que retrata a alienação e a
solidão do homem moderno.
O modernismo enfraquece a partir
dos anos 40, quando a abstração
chega com mais força ao país.
Seu final acontece nos anos 50
com a criação das bienais,
que promovem a
internacionalização da arte do
país.
Literatura –Uma das
principais inovações modernistas
é a abordagem de temas do
cotidiano, com ênfase na
realidade brasileira e nos
problemas sociais. O tom é
combativo. O texto liberta-se da
linguagem culta e passa a ser
mais coloquial, com admissão de
gírias. Nem sempre as orações
seguem uma seqüência lógica e o
humor costuma estar presente.
Objetividade e concisão são
características marcantes.
Na poesia, os versos
tornam-se livres, e deixa de ser
obrigatório o uso de rimas ricas
e métricas perfeitas.
O modernismo vive uma segunda
fase a partir de 1930, quando é
lançado Alguma Poesia, de Carlos
Drummond de Andrade. Os temas
sociais ganham destaque e o
regionalismo amplia sua
temática. Paisagens e
personagens típicos são usados
para abordar assuntos de
interesse universal.
A terceira fase do modernismo
tem início em 1945. Os poetas
retomam alguns aspectos do
parnasianismo.
João Cabral de Melo
Neto, de Morte e Vida Severina,
destaca-se pela inventividade
verbal e pelo engajamento
político.
Na prosa, os principais
nomes são Guimarães Rosa, autor
de Grande Sertão: Veredas, e
Clarice Lispector, de Perto do
Coração Selvagem.
Na música
–O modernismo dá prosseguimento
às mudanças iniciadas com o
impressionismo e o
expressionismo, rompendo ainda
mais com o sistema tonal (música
estruturada a partir da eleição
de uma das 12 notas da escala
como a principal).
Heitor Villa-Lobos é o
principal compositor no Brasil e
consolida a linguagem musical
nacionalista. Para dar às
criações um caráter brasileiro,
busca inspiração no folclore e
incorpora elementos das melodias
populares e indígenas.
No teatro
o
modernismo influencia
tardiamente a produção teatral.
Só em 1927 começam as inovações
nos palcos brasileiros. Naquele
ano, o Teatro de Brinquedo,
grupo experimental liderado pelo
dramaturgo e poeta Álvaro
Moreyra (1888-1965), monta Adão,
Eva e Outros Membros da Família.
A peça, em linguagem coloquial e
influenciada pelo marxismo, põe
pela primeira vez em cena dois
marginais: um mendigo e um
ladrão.
Movimento artístico que se
caracteriza pela expressão de
intensas emoções. As obras não
têm preocupação com o padrão de
beleza tradicional e exibem
enfoque pessimista da vida,
marcado por angústia, dor,
inadequação do artista diante da
realidade e, muitas vezes,
necessidade de denunciar
problemas sociais.
Iniciado no fim do século XIX
por artistas plásticos da
Alemanha, alcança seu auge entre
1910 e 1920 e expande-se para a
literatura, a música, o
teatro e o cinema. Em função
da I Guerra Mundial e das
limitações impostas pela língua
alemã, tem maior expressão entre
os povos germânico, eslavo e
nórdico. Na França, porém,
manifesta-se no fauvismo. Após o
fim da guerra, influencia a arte
em outras partes do mundo.
Muitos artistas estão ligados a
grupos políticos de esquerda.
Assim como a Revolução Russa
(1917), as teorias
psicanalíticas do austríaco
Sigmund Freud, a evolução da
ciência e a filosofia do alemão
Friedrich Nietzsche o
expressionismo está inserido no
ambiente conturbado que marca a
virada do século.
ARTES PLÁSTICAS –O
principal precursor do movimento
é o pintor holandês Vincent
van Gogh, criador de obras
de pinceladas marcadas, cores
fortes, traços expressivos,
formas contorcidas e dramáticas.
Em 1911, numa referência de um
crítico à sua obra, o movimento
ganha o nome de expressionismo.
As obras propõem uma ruptura com
as academias de arte e o
impressionismo. É uma forma de
"recriar" o mundo em vez de
apenas captá-lo ou moldá-lo
segundo as leis da arte
tradicional. As principais
características são
distanciamento da pintura
acadêmica, ruptura com a ilusão
de tridimensionalidade, resgate
das artes primitivas e uso
arbitrário de cores fortes.
Muitas obras possuem textura
áspera devido à grande
quantidade de tinta nas telas. É
comum o retrato de seres humanos
solitários e sofredores. Com a
intenção de captar estados
mentais, vários quadros exibem
personagens deformados, como o
ser humano desesperado sobre uma
ponte que se vê em O Grito, do
norueguês Edvard Munch
(1863-1944), um dos expoentes do
movimento.
Grupos expressionistas –O
expressionismo vive seu auge a
partir da fundação de dois
grupos alemães: o Die Brücke
(A Ponte), em Dresden, que
faz sua primeira exposição em
1905 e dura até 1913; e o Der
Blaue Reiter (O Cavaleiro
Azul), em Munique, ativo de 1911
a 1914. Os artistas do primeiro
grupo, como os alemães Ernst
Kirchner (1880-1938) e Emil
Nolde (1867-1956), são mais
agressivos e politizados. Com
cores quentes, produzem cenas
místicas e paisagens de
atmosfera pesada. Os do segundo
grupo, entre eles o russo
Vassíli Kandínski (1866-1944), o
alemão August Macke (1887-1914)
e o suíço Paul Klee (1879-1940),
voltam-se para a
espiritualidade. Influenciados
pelo cubismo e futurismo, deixam
as formas figurativas e caminham
para a abstração.
CINEMA –Os filmes
produzidos na Alemanha após a I
Guerra Mundial são sombrios e
pessimistas, com cenários
fantasmagóricos, exagero na
interpretação dos atores e nos
contrastes de luz e sombra. A
realidade é distorcida para
expressar conflitos interiores
dos personagens. Um exemplo é O
Gabinete do Dr. Caligari, de
Robert Wiene (1881-1938), que
marca o surgimento do
expressionismo no cinema alemão
em 1919.
Filmes como Nosferatu, de
Friedrich Murnau (1889-1931), e
Metrópolis, de Fritz Lang
(1890-1976), traduzem as
angústias e as frustrações do
país em plena crise econômica e
social. O nazismo, que domina a
Alemanha a partir de 1933, acaba
com o cinema expressionista.
Passam a ser produzidos apenas
filmes de propaganda política e
de entretenimento.
LITERATURA –O movimento é
marcado por subjetividade do
escritor, análise minuciosa do
subconsciente dos personagens e
metáforas exageradas ou
grotescas. Em geral, a linguagem
é direta, com frases curtas. O
estilo é abstrato, simbólico e
associativo.
O irlandês James Joyce, o inglês
T.S. Eliot (1888-1965), o tcheco
Franz Kafka e o austríaco Georg
Trakl (1887-1914) estão entre os
principais autores que usam
técnicas expressionistas.
MÚSICA –Intensidade de
emoções e distanciamento do
padrão estético tradicional
marcam o movimento na música. A
partir de 1908, o termo é usado
para caracterizar a criação do
compositor austríaco Arnold
Schoenberg (1874-1951), autor do
método de composição
dodecafônica. Em 1912 compõe
Pierrot Lunaire, que rompe
definitivamente com o
romantismo. Schoenberg inova com
uma música em que todos os 12
sons da escala de dó a dó têm
igual valor e podem ser
dispostos em qualquer ordem a
critério do compositor.
TEATRO –Com tendência
para o extremo e o exagero, as
peças são combativas na defesa
de transformações sociais. O
enredo é muitas vezes
metafórico, com tramas bem
construídas e lógicas. Em cena
há atmosfera de sonho e pesadelo
e os atores se movimentam como
robôs. Foi na peça
expressionista R.U.R., do tcheco
Karel Capek (1890-1938), que se
criou a palavra robô. Muitas
vezes gravações de monólogos são
ouvidas paralelamente à
encenação para mostrar a
realidade interna de um
personagem.
A primeira peça expressionista é
A Estrada de Damasco
(1898-1904), do sueco August
Strindberg (1849-1912). Entre os
principais dramaturgos estão
ainda os alemães Georg Kaiser
(1878-1945) e Carl Sternheim
(1878-1942) e o norte-americano
Eugene O'Neill (1888-1953).
EXPRESSIONISMO NO BRASIL –Nas
artes plásticas, os artistas
mais importantes são Candido
Portinari, que retrata o êxodo
do Nordeste, Anita Malfatti,
Lasar Segall e o gravurista
Osvaldo Goeldi (1895-1961). No
teatro, a obra do dramaturgo
Nelson Rodrigues tem
características expressionistas.
Movimento das artes plásticas
que se desenvolve na pintura
entre 1870 e 1880, na França, no
fim do século, e influencia a
música. É o marco da arte
moderna porque é o início do
caminho rumo à abstração. Embora
mantenha temas do realismo, não
se propõe a fazer denúncia
social. Retrata paisagens
urbanas e suburbanas, como o
naturalismo. A diferença está na
abordagem estética: os
impressionistas parecem
apreender o instante em que a
ação está acontecendo, criando
novas maneiras de captar a luz e
as cores. Nessa tendência a
mostrar situações naturais há
influência da fotografia,
nascida em 1827.
A primeira exposição pública
impressionista é realizada em
1874, em Paris. Entre os
expositores está Claude Monet,
autor de Impressão: o Nascer do
Sol (1872), tela que dá nome ao
movimento. Outros expoentes são
os franceses Édouard Manet
(1832-1883), Auguste Renoir
(1841-1919), Alfred Sisley
(1839-1899), Edgar Degas
(1834-1917) e Camille Pissarro
(1830-1903). Para inovar a forma
de pintar a luminosidade e as
cores, os artistas dão enorme
importância à luz natural. Nos
quadros são comuns cenas
passadas à beira do rio Sena em
jardins, cafés, teatros e
festas. O que está pintado é um
instante de algo em permanente
mutação.
Com a dispersão do grupo, alguns
artistas tentam superar as
propostas básicas do movimento,
desenvolvendo diferentes
tendências, agrupadas sob o nome
de pós-impressionismo. Nessa
linha estão os franceses Paul
Cézanne e Paul Gauguin
(1848-1903), o holandês Vincent
van Gogh e os
neo-impressionistas, como os
franceses Georges Seurat
(1859-1891) e Paul Signac
(1863-1935).
Pós-impressionismo
–Influenciados pelos
conhecimentos científicos sobre
a refração da luz, os
neo-impressionistas criam o
pontilhismo ou divisionismo. Os
tons são divididos em semitons e
lançados na tela em pequeninos
pontos visíveis de perto, que se
fundem na visão do espectador de
acordo com a distância em que se
coloca. A preocupação em captar
um instante dá lugar ao
interesse pela fixação das cenas
obtida pela subdivisão das
cores. Como resultado, elas
tendem a exibir um caráter
estático. Um exemplo é Uma Tarde
de Domingo na Ilha da
Grande-Jatte, de Seurat.
Embora inicialmente ligado ao
impressionismo, Cézanne
desenvolve uma pintura que será
precursora do cubismo. Van Gogh
alia-se ao expressionismo,
enquanto Gauguin dá ao
impressionismo uma dimensão
simbólica que influencia o
simbolismo e o expressionismo.
Música –As idéias do
impressionismo são adotadas pela
música por volta de 1890, na
França. As obras se propõem a
descrever imagens e várias peças
têm nomes ligados a paisagens,
como Reflexos na Água, do
compositor francês Claude
Debussy (1862-1918), pioneiro do
movimento.
O impressionismo abandona a
música tonal - estruturada a
partir da eleição de uma das 12
notas da escala (as sete básicas
e os semitons) - como principal.
Sustenta-se nas escalas modais
(definidas a partir da
recombinação de um conjunto de
notas eleito como básico para as
melodias de uma cultura) vindas
do Oriente, da música popular
européia e da Idade Média.
A obra de Debussy é marcada por
sua proximidade com poetas do
simbolismo. Prelúdio para a
Tarde de um Fauno, considerado
marco do impressionismo musical,
ilustra um poema do simbolista
Stéphane Mallarmé. Na ópera,
Debussy rejeita o formalismo e a
linearidade, como em Pelléas et
Mélisande. Outro grande nome é o
francês Maurice Ravel
(1875-1937), autor de A Valsa e
Bolero.
IMPRESSIONISMO NO BRASIL
–Nas artes plásticas há
tendências impressionistas em
algumas obras de Eliseu Visconti
(1866-1944), Georgina de
Albuquerque (1885-1962) e
Lucílio de Albuquerque
(1877-1939). Uma das telas de
Visconti em que é evidente essa
influência é Esperança (Carrinho
de Criança), de 1916.
Características
pós-impressionistas estão em
obras de Eliseu Visconti, João
Timóteo da Costa (1879-1930) e
nas primeiras telas de Anita
Malfatti, como O Farol (1915).
O impressionismo funciona como
base da música nacionalista,
como a que é desenvolvida no
Brasil por Heitor Villa-Lobos.
Tendência das artes plásticas,
da literatura e do teatro
surgida na França na segunda
metade do século XIX.
Manifesta-se também em outros
países europeus, nos Estados
Unidos e no Brasil. Baseia-se na
filosofia de que só as leis da
natureza são válidas para
explicar o mundo e de que o
homem está sujeito a um
inevitável condicionamento
biológico e social. As obras
retratam a realidade de forma
ainda mais objetiva e fiel do
que no realismo. Por isso, o
naturalismo é considerado uma
radicalização desse movimento.
Nas artes plásticas não tem o
engajamento ideológico do
realismo, mas na literatura e no
teatro mantém a preocupação com
os problemas sociais.
Nas artes
plásticas a
pintura dedica-se a retratar
fielmente paisagens urbanas e
suburbanas, nas quais os
personagens são pessoas comuns.
O artista pinta o mundo como o
vê, sem as idealizações e
distorções feitas pelo realismo
para expor posições ideológicas.
As obras competem com a
fotografia.
Na
literatura a linguagem
dos romances é coloquial,
simples e direta. Muitas vezes,
para descrever vícios e mazelas
humanos, usam-se expressões
vulgares. Temas do cotidiano
urbano, como crimes, miséria e
intrigas, são usuais. Os
personagens são tipificados: o
adúltero, o louco, o
pobre.Acontecimentos e emoções
ficam em segundo plano.
No teatro
as
principais peças são baseadas em
textos de Zola, como Thérèse
Raquin, Germinal e A Terra. A
encenação deste último constitui
a primeira tentativa de criar um
cenário tão realista quanto o
texto. Na época, o principal
diretor de peças naturalistas na
França é André Antoine
(1858-1943), que põe em cena
animais vivos e simula um
pequeno riacho.
NATURALISMO NO BRASIL –No
país, a tendência manifesta-se
nas artes plásticas e na
literatura. Não há
produção de textos para teatro,
que se limita a encenar peças
francesas.
Na literatura, em geral
não há fronteiras nítidas entre
textos naturalistas e realistas.
No entanto, o romance O Mulato
(1881), de Aluísio Azevedo
(1857-1913), é considerado o
marco inicial do naturalismo no
país. Trata-se da história de um
homem culto, mulato, que vive o
preconceito racial ao se
envolver com uma mulher branca.
Outras obras classificadas como
naturalistas são O Ateneu, de
Raul Pompéia (1863-1895), e A
Carne, de Júlio Ribeiro
(1845-1890). A tendência está na
base do regionalismo, que,
nascido no romantismo, se
consolida na literatura
brasileira no fim do século XIX
e existe até hoje.
Movimento artístico que se
manifesta na segunda metade do
século XIX. Caracteriza-se pela
intenção de uma abordagem
objetiva da realidade e pelo
interesse por temas sociais. O
engajamento ideológico faz com
que muitas vezes a forma e as
situações descritas sejam
exageradas para reforçar a
denúncia social. O realismo
representa uma reação ao
subjetivismo do romantismo. Sua
radicalização rumo à
objetividade sem conteúdo
ideológico leva ao naturalismo.
Muitas vezes realismo e
naturalismo se confundem.
Nas artes
plásticas
a
tendência expressa-se sobretudo
na pintura. As obras privilegiam
cenas cotidianas de grupos
sociais menos favorecidos. O
tipo de composição e o uso das
cores criam telas pesadas e
tristes. O grande expoente é o
francês Gustave Courbet
(1819-1877). Para ele, a beleza
está na verdade. Suas pinturas
chocam o público e a crítica,
habituados à fantasia romântica.
Na
literatura o realismo
manifesta-se na prosa. A poesia
da época vive o parnasianismo. O
romance – social, psicológico e
de tese – é a principal forma de
expressão. Deixa de ser apenas
distração e torna-se veículo de
crítica a instituições, como a
Igreja Católica, e à hipocrisia
burguesa. A escravidão, os
preconceitos raciais e a
sexualidade são os principais
temas, tratados com linguagem
clara e direta.
No teatro,
problemas do cotidiano ocupam os
palcos. O herói romântico é
substituído por personagens do
dia-a-dia e a linguagem torna-se
coloquial. O primeiro grande
dramaturgo realista é o francês
Alexandre Dumas Filho
(1824-1895), autor da primeira
peça realista, A Dama das
Camélias (1852), que trata da
prostituição.
REALISMO NO BRASIL – No
Brasil, o realismo marca mais
intensamente a literatura e o
teatro.
Artes plásticas –Entre os
artistas brasileiros, tem maior
expressão o realismo burguês,
nascido na França. Em vez de
trabalhadores, o que se vê nas
telas é o cotidiano da
burguesia. Dos seguidores dessa
linha se destacam Belmiro de
Almeida (1858-1935), autor de
Arrufos, que retrata a discussão
de um casal, e Almeida Júnior
(1850-1899), autor de O Descanso
do Modelo. Mais tarde, Almeida
Júnior aproxima-se de um
realismo mais comprometido com
as classes populares, como em
Caipira Picando Fumo.
Literatura –O realismo
manifesta-se na prosa. A poesia
da época vive o parnasianismo. O
romance é a principal forma de
expressão, tornando-se veículo
de crítica a instituições e à
hipocrisia burguesa. A
escravidão, os preconceitos
raciais e a sexualidade são os
principais temas, tratados com
linguagem clara e direta.
O realismo atrai vários
escritores, alguns antes ligados
ao romantismo. O marco é a
publicação de Memórias Póstumas
de Brás Cubas, de Machado de
Assis, que faz uma análise
crítica da sociedade da época.
Ligados ao regionalismo
destacam-se Manoel de Oliveira
Paiva (1861-1892), autor de Dona
Guidinha do Poço, e Domingos
Olímpio (1860-1906), de
Luzia-Homem.
Teatro –Os problemas do
cotidiano ocupam os palcos. O
herói romântico é substituído
por personagens do dia-a-dia e a
linguagem passa a ser coloquial.
Entre os principais autores
estão romancistas realistas,
como Machado de Assis, que
escreve Quase Ministro, e alguns
românticos, como José de
Alencar, com O Demônio Familiar,
e Joaquim Manuel de Macedo
(1820-1882), com Luxo e Vaidade.
Outros nomes de peso são Artur
de Azevedo (1855-1908), criador
de comédias e operetas como A
Capital Federal e O Dote,
Quintino Bocaiúva (1836-1912) e
França Júnior (1838-1890).
Tendência que se manifesta nas
artes e na literatura do final
do século XVIII até o fim do
século XIX. Nasce na Alemanha,
na Inglaterra e na Itália, mas é
na França que ganha força e de
lá se espalha pela Europa e
pelas Américas. Opõe-se ao
racionalismo e ao rigor do
neoclassicismo. Caracteriza-se
por defender a liberdade de
criação e privilegiar a emoção.
As obras valorizam o
individualismo, o sofrimento
amoroso, a religiosidade cristã,
a natureza, os temas nacionais e
o passado. A tendência é
influenciada pela tese do
filósofo Jean-Jacques Rousseau
(1712-1778) de que o homem nasce
bom, mas a sociedade o corrompe.
Também está impregnada de ideais
de liberdade da Revolução
Francesa (1789).
Nas artes
plásticas o romantismo
chega à pintura no início do
século XIX. Na Espanha, o
principal expoente é Francisco
Goya (1746-1828). Na França
destaca-se Eugène Delacroix
(1798-1863), com sua obra Dante
e Virgílio. Na Inglaterra, o
interesse pelos fenômenos da
natureza em reação à urbanização
e à Revolução Industrial é visto
como um traço romântico de
naturalistas como John Constable
(1776-1837). O romantismo na
Alemanha produz obras de apelo
místico, como as paisagens de
Caspar David Friedrich
(1774-1840).
Na
literatura a poesia
lírica é a principal expressão.
Também são freqüentes os
romances. Frases diretas,
vocábulos estrangeiros,
metáforas, personificação e
comparação são características
marcantes. Amores irrealizados,
morte e fatos históricos são os
principais temas. O marco da
literatura romântica é Cantos e
Inocência (1789), do poeta
inglês William Blake
(1757-1827).
O romantismo impõe-se na França
no fim da década de 1820 com
Victor Hugo (1802-1885), autor
de Os Miseráveis.
A transição do classicismo
musical, que acontece já no
século XVIII, para o romantismo
é representada pela última fase
da obra do compositor alemão
Ludwig van Beethoven
(1770-1827). Nas sonatas e em
seus últimos quartetos de
cordas, começa a se fortalecer o
virtuosismo. De suas nove
sinfonias, a mais conhecida e
mais típica do romantismo é a
nona.
Teatro –A renovação do teatro
começa na Alemanha.
Individualismo, subjetividade,
religiosidade, valorização da
obra de Shakespeare
(1564-1616) e situações próximas
do cotidiano são as principais
características. O drama
romântico em geral opõe num
conflito o herói e o vilão. Os
dois grandes expoentes são os
poetas e dramaturgos alemães
Goethe e Friedrich von Schiller
(1759-1805). Victor Hugo é o
grande responsável pela
formulação teórica que leva os
ideais românticos ao teatro.
ROMANTISMO NO BRASIL –O
romantismo surge em 1830,
influenciado pela independência,
em 1822. Desenvolve uma
linguagem própria e aborda temas
ligados à natureza e às questões
político-sociais. Defende a
liberdade de criação e
privilegia a emoção. As obras
valorizam o individualismo, o
sofrimento amoroso, a
religiosidade, a natureza, os
temas nacionais, as questões
político-sociais e o passado.
Artes plásticas –Os
artistas dedicam-se a pinturas
históricas, que enaltecem o
Império e o nacionalismo
oficial.
Literatura –O marco
inicial do romantismo brasileiro
é a publicação, em 1836, de
Suspiros Poéticos e Saudades, de
Gonçalves de Magalhães
(1811-1882). A produção
literária passa por quatro
fases.
A primeira (1836-1840)
privilegia o misticismo, a
religiosidade, o nacionalismo e
a natureza.
Na segunda (1840-1850)
predominam a descrição da
natureza, a idealização do índio
e o romance de costumes.
Na terceira (1850-1860), o
nacionalismo intensifica-se e
preponderam o individualismo, a
subjetividade e a desilusão.
Na última fase (1860-1880),
época de transição para o
realismo e o parnasianismo,
prevalece o caráter social e
liberal ligado à abolição da
escravatura.
Música –Os compositores
buscam liberdade de expressão e
valorizam a emoção. Resgatam
temas populares e folclóricos,
que dão ao romantismo caráter
nacionalista. A ópera se
desenvolve no país. Seus
principais representantes são
Carlos Gomes, autor de O
Guarani, e Elias Álvares Lobo
(1834-1901). Eles são auxiliados
por libretistas como Machado de
Assis e José de Alencar.
Teatro –Desenvolve-se a partir
da chegada da corte portuguesa,
em 1808. A primeira peça é a
tragédia Antônio José ou o Poeta
e a Inquisição (1838), de
Gonçalves de Magalhães, encenada
por João Caetano (1808-1863).
Martins Pena, autor de O Noviço,
é considerado o primeiro
dramaturgo brasileiro
importante. Individualismo,
subjetividade, religiosidade e
situações cotidianas são as
principais características do
período.
Movimento que se desenvolve nas
artes plásticas, na literatura e
no teatro no fim do século XIX.
Surgido na França, depois se
espalha pela Europa e chega ao
Brasil.
Caracteriza-se por
subjetivismo, individualismo e
misticismo. Rejeita a abordagem
da realidade e a valorização do
social feitas pelo realismo e
pelo naturalismo. Palavras e
personagens possuem significados
simbólicos.
O poeta francês Charles
Baudelaire é considerado
precursor do simbolismo por sua
obra As Flores do Mal, de 1857.
Mas só em 1881 a nova
manifestação é rotulada, com o
nome decadentismo, substituído
por simbolismo em manifesto
publicado em 1886.
Artes
plásticas –Para os
simbolistas a arte deve ser uma
síntese entre a percepção dos
sentidos e a reflexão
intelectual. Buscam revelar o
outro lado da mera aparência do
real. Em muitas obras enfatizam
a pureza e a espiritualidade dos
personagens. Em outras, a
perversão e a maldade do mundo.
A atração pela ingenuidade faz
com que vários artistas se
interessem pelo primitivismo.
Literatura –Manifesta-se na
poesia, com versos que exploram
a sonoridade. As obras usam
símbolos para sugerir objetos,
por exemplo, a cruz para falar
de sofrimento. Também rejeita as
formas rígidas do parnasianismo.
Difere do romantismo pela
expressão da subjetividade
ausente de sentimentalismo.
Teatro –Como o movimento rejeita
a abordagem da vida real, no
palco os personagens não são
humanos. Constituem a
representação de idéias e
sentimentos. A forte relação com
os impressionistas faz com que o
som, a luz, a cor e o movimento
tenham destaque nas encenações.
SIMBOLISMO NO BRASIL –Nas artes
plásticas, o movimento
influencia parte das pinturas de
Eliseo Visconti e Lucílio de
Albuquerque (1877-1939). É muito
marcante nas obras de caráter
onírico de Alvim Correa
(1876-1910) e Helios Seelinger
(1878-1965).
Na literatura, o primeiro
manifesto simbolista é publicado
em 1891, no jornal Folha
Popular. As primeiras obras
literárias são Missal e Broquéis
(1863), de Cruz e Souza. O autor
aborda mistérios da vida e da
morte com uma linguagem rica,
marcada pela musicalidade.
O teatro simbolista começa a ser
escrito e encenado no início do
século XX. A produção de textos
é pequena. Falam da sociedade
carioca da época. Os principais
dramaturgos são Roberto Gomes
(1882-1922), que escreve O Canto
sem Palavras e Berenice, e Paulo
Barreto (1881-1921), autor de
Eva. Em 1933, Paulo Magalhães
(1900-1972) monta A Comédia do
Coração, que põe no palco
personagens simbólicos, como
Dor, Paixão e Ciúme.
Movimento cultural do fim da
década de 60 que, usando
deboche, irreverência e
improvisação, revoluciona a
música popular brasileira, até
então dominada pela estética da
bossa nova. Liderado pelos
músicos Caetano Veloso e
Gilberto Gil, o tropicalismo usa
as idéias do Manifesto
Antropofágico de Oswald de
Andrade para aproveitar
elementos estrangeiros que
entram no país e, por meio de
sua fusão com a cultura
brasileira, criar um novo
produto artístico. Também se
baseia na contracultura, usando
valores diferentes dos aceitos
pela cultura dominante,
incluindo referências
consideradas cafonas,
ultrapassadas ou
subdesenvolvidas.
O movimento é lançado com a
apresentação das músicas
Alegria, Alegria, de Caetano, e
Domingo no Parque, de Gil, no
Festival de MPB da TV Record em
1967. Acompanhadas por guitarras
elétricas, as canções causam
polêmica em uma classe média
universitária nacionalista,
contrária às influências
estrangeiras nas artes
brasileiras. O disco Tropicália
ou Panis et Circensis (1968),
manifesto do movimento, vai da
estética brega do
tango-dramalhão Coração Materno,
de Vicente Celestino
(1894-1968), à influência dos
Beatles e do rock em Panis et
Circensis, cantada por Os
Mutantes. O refinamento da bossa
nova está presente nos arranjos
de Rogério Duprat (1932-), nos
vocais de Caetano e na presença
de Nara Leão (1942-1989).
O tropicalismo manifesta-se,
ainda, em outras artes, como na
escultura Tropicália (1965), do
artista plástico Hélio Oiticica,
e na encenação da peça O Rei da
Vela (1967), do diretor José
Celso Martinez Corrêa (1937-). O
movimento acaba com a decretação
do Ato Institucional nº 5
(AI-5), em dezembro de 1968.
Caetano e Gil são presos e,
depois, exilam-se na Inglaterra.
Em 1997, quando se comemoram os
30 anos do tropicalismo, são
lançados dois livros que contam
a história do movimento: Verdade
Tropical, de Caetano Veloso, e
Tropicália - A História de uma
Revolução Musical, do jornalista
Carlos Calado.
Movimento das artes plásticas,
sobretudo da pintura, que a
partir do início do século XX
rompe com a perspectiva adotada
pela arte ocidental desde o
Renascimento. De todos os
movimentos deste século, é o que
tem influência mais ampla.
Ao
pintar, os artistas achatam
os objetos, e com isso eliminam
a ilusão de tridimensionalidade.
Mostram, porém, várias faces da
figura ao mesmo tempo. Retratam
formas geométricas, como cubos e
cilindros, que fazem parte da
estrutura de figuras humanas e
de outros objetos que pintam.
Por isso o movimento ganha
ironicamente o nome de cubismo.
As cores em geral se limitam a
preto, cinza, marrom e ocre.
O
cubismo manifesta-se ainda na
arquitetura, especialmente
na obra de Corbusier, e na
escultura.
No teatro,
restringe-se à pintura de
cenários de peças e de balés
feita por Picasso.
Na literatura os
princípios do cubismo aparecem
na poesia. A linguagem é
desmontada em busca da
simplicidade e do que é
essencial para a expressão. O
resultado são palavras soltas,
escritas na vertical, sem a
continuidade tradicional.
CUBISMO NO BRASIL
–O cubismo só repercute no país
após a Semana de Arte Moderna de
1922. Pintar como os cubistas é
considerado apenas um exercício
técnico. Não há, portanto,
cubistas brasileiros, embora
quase todos os modernistas sejam
influenciados pelo movimento. É
o caso de Tarsila do Amaral,
Anita Malfatti e Di Cavalcanti
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